Outro dia estava lendo o livro maravilhoso do Fabio de Melo “quem me roubou de mim?”... gostei tanto que decidi compartilhar aqui algumas de suas idéias...
Assim segue a teia... a sabedoria popular nos ensina que há sempre um aprendizado a ser recolhido depois da dor. É verdade. As alegrias costumam ser preparadas no silêncio das duras esperas. Não é justo que o ser humano passe pelas experiências de calvários sem que delas nasçam experiências de ressurreições.
O ser humano acostuma-se com o que tem, com o que ama, e somente a ruptura com o que se tem e com o que se ama abre-lhe os olhos para o real valor de tudo o que estava ao seu redor. As prisões podem nos fazer descobrir o valor da liberdade. A ausência ainda é uma forma interessante de mensurar o que amamos e o que queremos bem. Passar pela experiência do cativeiro local da negação absoluta de tudo, o que para nós tem significado, conduz-nos ao cerne dos valores que nos constituem.
O resgate, o pagamento que nos dá o direito de voltar ao que é nosso, condensa um significado interessante. Ele é devolução É como se fôssemos afastados de nossa propriedade, e de longe alguém nos mostrasse a beleza do nosso lugar, dizendo: "Já foi seu; mas não é mais. Se quiser voltar, terá que comprar de novo! Compramos de novo o que sempre foi nosso. Estranho, mas esse é o significado do resgate. Distantes do que antes era tão próximo, recobramos a visão encantadora do nosso lugar. Olhamos de um jeito novo. Redescobrimos os detalhes, as belezas silenciosas que, com o tempo, desaprendemos a perceber. A visão ao longe é reveladora. Vemos mais perto, mesmo estando tão longe. Olhamos e não conseguimos entender como não éramos capazes de reconhecer a beleza que sempre esteve ali, e que nem sempre fomos capazes de perceber.
No momento da ameaça de perder tudo isso, o que mais desejamos é a nova oportunidade de refazer a nossa vida. Nosso desejo é voltar, reencontrar o que havíamos esquecido, reintegrar o que antes perdido, ignorado, abandonado. O que desejamos é a possibilidade de um retorno que nos possibilite ver as mesmas coisas de antes, mas de um jeito novo, aperfeiçoado pela ausência e pela restrição. Quase sempre é preciso enfrentar o sofrimento agudo do rompimento para que a pessoa reassuma o amor próprio, e só assim conseguir sair do cativeiro.
Toda relação humana necessita de cuidados, porque sempre transita nos limites tênues entre amor e posse. Do amor à posse o caminho é curto. Basta que percamos o foco de nossa identidade para que corramos o risco de alguém administrar nossa vida, roubando-nos de nós mesmos. Podemos alçar um vôo ainda maior... o Verbo de Deus se torna sujeito em cada criatura humana, potencializando-a a ser como Ele e com Ele. Essa incorporação da vida divina na vida dos humanos é um desdobramento do mistério da Encarnação. Pelo mistério de Deus encarnado, a criatura humana legitima no tempo por meio de sua ação, a Graça, isto é, o amor de Deus sempre presente e atuante no mundo. Graça que salva, santifica, humaniza, transforma, gera o mundo ao desfazer o imundo. Graça que no sujeito é particular, podendo ser acolhida, ou não, pelo exercício da liberdade. A ação da Graça de Deus na vida humana trabalha num primeiro momento no fortalecimento de sua identidade. Somos filhos no Filho. Somos incorporados pela força sacramental que está manifestada no dom de Deus na tarefa humana. A intervenção divina não concederá o angélico ao humano, mas, ao contrário, concede-lhe nova condição humana, restaurada e reconciliada em Jesus, o Verbo de Deus. Esta compreensão antropológica cristã é riquíssima, pois nos sugere a santidade como aperfeiçoamento do que é humano, e não como sua negação.
Existir de qualquer jeito não requer esforço. Basta entrar no movimento das estruturas que tornam a vida humana cada vez mais artificial. Basta dizer sim à massificação e ao movimento brutal dos desumanizados deste mundo. Basta se render àqueles que legitimam as forças das realidades caóticas do nosso tempo. No espaço dos desumanizados, a subjetividade não tem valor. Não há preocupação para se preservar a sacralidade da pessoa e seu horizonte de sentido. Todo o esforço direciona-se à manutenção de uma estrutura de poder que cada vez mais fragiliza a vida humana. Uma coisa é certa: onde houver um ser humano em processo de destruição, nele todo o universo vive a dor de morrer aos poucos. O contrário também pode ser verdade. Onde estiver um ser humano se renovando pela força da Graça recriadora, nele todo o universo estará sendo recriado. Na condição de ser primeira morada do mundo, cada ser humano traz em si o dom de transformar o mundo inteiro, mas isso só será possível se ele viver o constante desafio de não perder-se de si mesmo.
Nisso consistem os dois pilares do conceito de "pessoa". Possuir-se para disponibilizar-se. É a vida na prática, é a trama da existência e sua riqueza insondável. Encontros e despedidas. Passagens transitórias, chegadas definitivas. Vida se desdobrando em pequenas partes. Eu me encontrando, surpreendendo-me, como se ainda não soubesse nada sobre mim. Eu misturando minha vida na vida do outro, encontrando-o, permitindo que nossos significados nos congreguem. Eu abandonando a solidão de minha condição de posse de mim mesmo para alcançar a proeza de ser com o outro. O que nos atrai no outro é a terceira pessoa que conseguimos fazer nascer com o nosso encontro. O amor talvez seja isso. Encontro de partes que se complementam, porque se respeitam. E, no ato de se respeitarem, ampliam o mundo um do outro. O recém-chegado não tem o direito de reduzir o mundo de quem se deixou encontrar. O amor não diminui, mas multiplica.
Não permita que ninguém te rouber de vc mesmo...Seja feliz... confie no amor, confie na vida, confie em Deus!!!!!
Não deixe que a saudade sufoque, que a rotina acomode, que o medo impeça de tentar. Desconfie do destino e acredite em você. Gaste mais horas realizando que sonhando, fazendo que planejando, vivendo que esperando, porque, embora quem quase morre esteja vivo, quem quase vive já morreu. (Veríssimo)
bju grande com todo o meu amor
Liza

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