Aaaaaaah essa dor de amar... mesmo considerada como algo trágico e inconveniente sabemos que a dor é inerente à condição humana e, portanto, devemos afinar-nos com a dor e, nas palavras de Nasio (1997) “... tentar afinar com ela, e, nesse estado de ressonância, esperar que o tempo e as palavras se gastem” (p. 17). O risco do amor é sempre a perda!
A ruptura do relacionamento amoroso aponta para a solidão do sujeito que, diante de sua própria nudez, se reconhece incompleto e vazio, fato que configura sua condição de sofredor. Assim, o sofrimento está na origem da condição humana, que se manifesta como angústia de sua própria finitude, do seu ser inacabado e incompleto, o que está intimamente ligado às suas escolhas e liberdade. Este estado de angústia gera inquietude no sujeito, movimentando-o em direção do outro, estabelecendo o paradoxo do desejo e do amor. Pois, é a falta que possibilita o desejar e, o desejo movimenta para o novo, para o desconhecido e temido.
Nasio afirma bem quando diz que a ruptura de uma relação amorosa é semelhante ao processo de agressão física, pois “a homeostase do sistema psíquico é rompida, e o princípio de prazer abolido”...
E assim segue: toda perda psicológica é precedida por um investimento afetivo, pois é quando estamos apaixonados por alguém que estamos dizendo que uma parte de nossa energia afetiva foi deslocada para aquela pessoa. Grosso modo, quanto mais de nossa energia afetiva depositarmos no outro, maior a sensação de amor e paixão teremos por ela; em verdade, é um amor legítimo, mas “falso” uma vez que amamos a nós mesmos através do outro, pela energia depositada nele. Dentro desse contexto, o processo de luto inicia-se quando, por algum motivo, quer por morte física, quer por abandono, a outra pessoa não pode ou não quer mais nos disponibilizar o seu amor e ou atenção. Assim, o luto consiste em retirar, ou seja, desinvestir a energia depositada no outro para torná-la disponível para utilizarmos em outra pessoa, objeto ou atividade
Aiai... mas, o processo do luto é necessário e saudável, uma vez que irá nos permitir liberar a energia que no outro estava presa e, sempre que conseguimos trazer de volta essa energia, podemos dizer que o luto deu-se satisfatoriamente. O outro deixa de ter a importância que até então tinha e nos sentimos livres para investir em outra pessoa. Mas, algumas vezes, por uma série de razões, o processo de luto não se dá de forma adequada. Esse luto, essa dor só completará o seu ciclo quando o indivíduo conseguir manter o amor pelo ser perdido e concomitantemente amar um novo ser, assim, “quando essa coexistência do antigo e do novo se instala no inconsciente, podemos estar seguros de que o essencial do luto começou”...
Se você sofre com a dor do amor ou com a dor de viver, aconselho gastar essa dor com as palavras... se precisar de uma ajudinha fique a vontade para me escrever (ramalholiz@gmail.com) e terei muito amor em ajudá-lo (a)...
Bjinhus com muito amor
Liza
NASIO, J. D. O livro da dor e do amor. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1997.
NOBREGA, S.M. et al. Do amor e da dor: representações sociais sobre o amor e o sofrimento psíquico. Artigo. Campinas: Estudos de Psicologia. Jan./mar. 2005.
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